

Notívaga que quer ser escritora de ficção surreal. Ama sorvete de Pistache e a cor vermelha.orkut.e-mail. . . . . . . . . . . . . .
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Quinta-feira, Janeiro 31, 2008
Cinco da manhã
Tem muitas coisas que eu preciso fazer. E tenho medo de não fazê-las, medo de ficar parada no tempo por um comodismo que parece me consumir e me afetar, como um tumor que vai crescendo e se expandindo. Me carcomendo, por dentro, como se meu corpo fosse algo pulsante que é contaminado por suas próprias defesas. Esse ostracismo, essa imutabilidade, essa rotina agourenta, tudo isso me incomoda, profundamente. Temo porque não quero ser assim, nunca quis. Eu sei que estou submersa num mundo próprio, porque eu vivo dentro de uma bolha. Mas eu tenho consciência de que preciso sair dela.
Digo que vivo numa bolha porque nunca sei o que acontece ao meu redor, pelo menos não coisas banais. Tenho duas capacidades distintas, uma de observar as coisas com uma sensibilidade e uma clareza quase sensoriais, como se eu adivinhasse as coisas ou prevesse o futuro, e a outra de me desligar totalmente das coisas que julgo banais demais para terem minha atenção. É frustrante, porque ás vezes eu fico desatenta quando é mais necessário. Esse meu mundinho é confortável. E isso me deixa preocupada.
O lado bom de tudo isso é que quando eu me fecho é que as idéias vêm em cascatas de palavras, cenas e melodias. Mas tenho de dosar, o que não tenho conseguido; preciso sair da casca para que a rotina não me consuma de forma destrutiva, e me prender na casca para entender e desafiar esse monstro estranho e vermelho que fica gritando dentro de mim. Eu sei que eu posso, eu sei que quero fazer alguma coisa que penso ser o certo. Tenho fracassado nos últimos tempos. Mas preciso, porque são coisas vitais.
Por exemplo, eu não sei se conseguirei viver muito tempo mais sob as regras de outras pessoas. Não é fácil conviver comigo, e eu sei disso desde que nasci. Porque eu sou uma pele de pensamentos voltados pra dentro, porque eu fico remoendo mágoas e fantasmas sob uma máscara de "menina gordinha inteligente e bem humorada". Eu sei que uma hora isso explode, sempre explode. E me faz mal. Eu sou individualista e egoísta. Por isso é vital que eu vá viver sob a minha própria tutela, porque quando vier toda a tristeza, angústia, mágoa e raiva, eu vou poder gritar, como eu não faço.
Cinco da manhã, todos dormem, e eu estou aqui, olhando pra dentro de mim e me vendo menos inteira e mais exposta do que jamais estive. Não gosto do que vejo. Pulsa mais do que eu gostaria, e foge de mim como algo vivo.
. Head Unbound - Melissa Auf der Maur .
...
P.S: uma coisa que eu havia esquecido de dizer e é de suma importância: estou deixando links do youtube com músicas que eu estava ouvindo no exato momento do post. Gostaria imensamente que vocês abrissem o vídeo do link e deixassem a música rolar enquanto lêem, se puderem (ignorando os vídeos). Cada música quase que representa meu estado de espírito! Nenhuma música é colocada aqui por acaso. Obrigada!
Perda
De qualquer coisa. De qualquer objeto ou criatura da sua vida. Seu amigo ou seu bicho de estimação. Umas doem mais outra menos.
Uma hora estava ali, e outra hora não estava mais. Quer dizer, estava, mas só seu corpinho peludo de coelho, jazendo de olhos abertos, o pêlo branco ainda quente. Foi um acidente, não foi culpa de ninguém. Nem do 'papai-do-céu'. Prefiro acreditar que ele está saltitando agora na terra dos coelhos. É como se nunca tivesse existido, mas existiu. Resta a ausência. A ausência é a morte, porque a morte não tem rosto. E o inferno só pode ser gelado.
Como no dia em que acordei e o corpinho de hamster da Frida estava estirado em sua gaiola, alheio, duro e gelado. Imóvel. Do nada, ela faleceu. Nem era tão velha. Eu tirei ela da gaiola e foi só o que consegui fazer. Não consegui levar ela até o jardim, onde existe o que eu chamo de "Santuário de Pequenos Bichos". Minha mãe abriu a covinha com uma colher de sopa e colocou o corpinho marrom dela lá. Eu joguei a terra por cima, e coloquei uma florzinha, e depois enchi de pedras por cima. Ela foi enterrada ao lado dos três passarinhos, Tibúrcio, o pardal que foi recolhido na rua e morreu nas minhas mãos, White e Canabi, os dois outros passarinhos que ganhamos. Fiquei triste mais do que uma semana. Aí passava pela gaiola dela e não via o vultinho marrom e lépido que ela era. Cortava legumes e separava dois, mas lembrava que ela não estava lá pra eu dar nacos de cenoura e pedaços de pão, que elas adoravam e seguravam com as duas mãozinhas.
Pouco depois Sally amanhece nas mesma condição que a irmã. Perco minhas duas hamsters. As gaiolas estão lá, vazias, e eu sempre olho pra elas, sem coragem de me desfazer.
E hoje, quando o coelho da minha irmã foi atropelado, tudo veio à tona, todo o sentimento de ter perdido as hamsters. Vi o corpinho da Frida.
Um minuto estava lá e no outro não estava mais. Simples assim.
Uma coisa insignificante. Um ponto no vácuo. Vazio e sem ar.
Foi-se.
Bela adormecida?
Ainda falando sobre a minha "notivaguês", aí vai uma singela descrição do meu dia(noite):
Acordar ás onze da manhã, para mim, é como acordar ás seis da matina, tendo dormido ás cinco. Mau-humor (pontuado pelos 'parentes' que estão hospedados em casa que não sabem falar, só gritar), me arrasto até o sofá, e de lá vejo as pessoas lépidas, dispostas e bem acordadas andarem pra lá e pra cá, e que, para mim, se parecem com um devaneio sonolento. Vejo minha mãe passar por mim 47 vezes: "acoorda guria! to fazendo almoço". Lá pelas uma levanto e vou até a cozinha preparar comida para mim (mau-humor parte II : odeio risoto). Com destreza e perfeccionismo, parto batatas e cenouras e faço arroz com legumes e omelete marota. Enquanto como, olho para a pilha de louça sobre a pia, panelas e panelas sujas empilhadas (sempre a menor embaixo), pratos, garfos e toda a parafernália espalhados pela cozinha, frutos de um almoço preparado para oito pessoas (mais dois cachorros, um passarinho e um coelho). Encaro com ódio. Mas hoje tive sorte: minha tia se compadeceu da minha pessoa ('parentes':1x0.) e resolveu me ajudar a limpar.
Acabada a louça, já está passando "uma turminha da pesada aprontando altas travessuras nessa cidade de arrasar!". Meu pâncreas dói.
Vou até o computador, mas ainda não estou no estágio em que tenho paciência pra isso, por isso fuço no meu próprio orkut uns 5 minutos e saio saltitando.
Hoje até saí de casa: fui numa aula experimental de pilates, e a instrutora me moeu para demonstrar os exercícios estranhos. u.u'.
Até as cinco da tarde sobram resquícios de sono em mim (como os seres diurnos no começo da tarde, talvez). Se eu chegar perto de um lugar fofo, eu durmo. Mas, ás seis da tarde, meus olhos estão brilhando e meu humor habitual (piadista sem graça) está de volta. Dessa hora até as dez da noite, eu faço tudo o que as pessoas talvez façam à tarde: lavo roupa, lavo quintal, lavo o cachorro, lavo o pé, toco violão, escrevo, encho o saco da minha irmã, encho o saco do coelho da minha irmã, ouço música e até assisto uns 5 segundos de televisão.
Onze horas todo mundo está lá, lindão, dormindo, e eu estou com a cabeça fervilhando de idéias de imagens, posts, textos, letras e músicas pra baixar. Uma hora da manhã mal se vê quantas janelas (abas!) eu abri no computador, porque eu tô olhando quatrocentas fotos e baixando algum disco. (último: songs for the deaf, QOTSA). Três horas da manhã meus olhos estão arregalados e eu tô pulando de uma perna só. É o pico, a hora do rush! escrevo tudo ao mesmo tempo, e a vontade de sair gritando é grande. Esse estágio dura mais ou menos até as cinco da manhã, que é, tipo, dez horas da noite para os dormidores (a)normais.
Quando fico com peso na consciência por ficar a madrugada toda no pc, vou pra sala e ligo a televisão, e sempre (eu disse sempre) tá passando Ponto Pê. Como é isso ou RR Soares, Fala que eu te escuto, Canal do Boi e "A Vingança de Steven Segal", fico "ouvindo" a tevê e lendo uma revista de 2004 ao mesmo tempo. Felizmente meu pâncreas dói mais do que minha consciência.
E, se ainda, quando eu deito, não sentir sono, cato um livro à esmo na prateleira e fico relendo com a luzinha do celular. (estraga a vrista, menina!).
E então durmo. E depois... here we go again!
1) tá, eu não sirvo de exemplo pra ninguém. Mas, pombas, tenho culpa? eu durmo de dia e encho o saco à noite desde que nasci.
2) se eu tivesse trabalhando, eu ía (a despeito da descrença de todo mundo à minha volta) sim acordar cedo, porque quando eu trabalhava eu acordava às seis! porém, assim como era quando eu estudava de manhã, eu continuava dormindo à tarde e não à noite.
Conclusão: acho que eu sou alguma coisa entre 'dama-da-noite', 'roedor' e 'batman'. (ou não).
...
em tempo: Visitem o blog "Patrão Saiu!". Acho que, além de pular de uma perna só na madrugada de hoje, ri muito. Blog interessante e cheio de piadinhas ;D. Aconselhado!
. Low - Foo Fighters .
Novamente!
Sim! Voltei! com a mesma fome e vontade de escrever aqui de antes. Nesse meio tempo em que o tecla ficou fechado, meu computador foi formatado umas quatro vezes, minha banda acabou e minhas hamsters morreram (muito infelizmente). Mas eu continuo desempregada! e viva (sério??).
A seção Portifólio ainda não está funcionando, mas isso é por pouco tempo. Agora quero que isso aqui só caminhe para frente, que seja mais do que um blog bobo que relate meu cotidiano não tão legal assim.
Espero que vocês voltem a gostar disso como eu!
Essas férias tem sido absurdamente estranhas e legais, porque eu não tenho saído muito, e mesmo assim, estão sendo boas! saio pra beber cerveja na casa de uma amiga que tem doiscachorrosduastartarugastrêsgatos, toco violão, faço trabalhos gráficos como o meu zine, que irá voltar, escrevo, e fico no pc. Acho que eu sou o Dom Casmurro com talento literário (ou não). Não vejo caras esquisitas na rua, nem pessoas que eu conheço de longe mas sei que não vão com a minha cara. (mútuo). E não durmo à noite, tampouco, porque meu horário tá bem doido: acordo às três da tarde, durmo às seis da manhã, e assim sucessivamente. Notívaga! acho que eu sair no sol viro cinza.
. Violent Pornography - System of a down .