

Lyra, 19 anos, Campo Grande MS. Estudo jornalismo, 2º ano. Já toquei em 3 bandas de rock de diferentes tipos. Amo Gabriel García Marquez e sorvete de pistache. Sou rata de livros, e notívaga incorrigível que
quer ser uma escritora. Amo a
cor vermelha, gatos, sopa paraguaia, cerveja, cachecol. Ouço
bastante música, toco
violão toscamente, namoro um quase-biólogo e a coisa que mais quero
nessa vida é morar sozinha.
Bruh.
Erika.
Strange Feelings.
Amy.
Aline
Lenore.
Melissa.
André.
Elis.
Gabii.
Carol M.
Monólogo Destrutivo.
Unifolha.
Patrão saiu.
Jornal A-Side.


Segunda-feira, Junho 23, 2008
Sobre mudanças
2004 eu era muito mais tímida e boba, mas já sabia o que era ter uma melhor amiga falsa e o que era beber até ver o fundo do copo, heranças de 2003. Já tinha tido a primeira experiência com uma banda, subido num palco (e tinha sido uma merda). Começava a descobrir as coisas. Meu cabelo era metade roxo, comprido, arrebentado. Eu era magra, não tinha piercyngs nem tatuagens (apesar de querer). Usava uma saia enorme e não tinha tolerância com a diversidade, fora do sonzinho nu-metal que eu escutava. Era estranha, não falava direito com as pessoas, continuava dentro da minha redoma de vidro, que ninguém penetrava. Odiava o colégio, odiava meus pais e todo o resto do mundo.
2005 pintei o cabelão de preto, e mudei do saião preto arrastando no chão para o moletom que uso até hoje. O cabelo continuava escorrido, cobrindo o rosto. Veio a miopia, e com ela o par de óculos (que eu já larguei). Tinha uma banda de metal, tocava guitarra e os shows legais íam surgindo. Tinha raiva das pessoas à minha volta e desenvolvi o estranho hábito de chorar no banheiro. Fazia as vezes de amiga-mãe para uma garota meio fraca da cabeça que estudava comigo. O primeiro piercing, a primeira transa, o primeiro cigarro. Tinha necessidade de me esconder das pessoas e era meio viciada em sono. Costumava ouvir música alta quando não tinha ninguém em casa. Estudava obrigada, e a tortura que foi o ensino médio para mim se seguia. Já sonhava em morar sozinha. Ainda era meio intolerante. Tinha o costume de gritar à noite quando me sentia sozinha, sonâmbula.
A conclusão a que chego é: que bom que essa época passou.
Fico feliz de estar fazendo jornalismo, ter um gato, ter tolerância e vontade. O ruim é que engordei.
Mas algumas coisas nunca mudam, né? o namorado é o mesmo, o cabelo ainda é escorrido e eu ainda me sinto extremamente sozinha, como se aquela época voltasse pra mim aos poucos, cada vez que eu me olho no espelho.
Ainda a novela
Ainda a novela da irmã xarope.
Pois é, eu devo ser o oráculo ou coisa parecida. Eis que o que eu já estava imaginando que aconteceria, aconteceu. A novela segue pelo seguinte rumo: minha prima que mora com a gente, veio do Paraná e faz federal (e que é igualzinha a minha irmã, exceto pelo fato de que ela é neurótica com estudos) resolveu ir atrás de um apartamento p/ morar sozinha se livrar da gente. Minha irmã vai junto.
As duas estão serelepes-saltitantes pela casa, já que minha mãe vai pagar grande parte das despesas da minha irmã, mais sua faculdade. Convidaram minha irmã mais nova e tudo para visitar e dar pitacos. Acharam um apartamento a quatro (!!) quadras daqui.
No mesmo dia, eu descolei um contato para um trampo, e, acho que, com mais essa despesa, se conseguir outro trabalho além do Unifolha, vou tentar pagar minha faculdade, ou pelo menos parte dela. Sei o quanto sustentar minha irmã mais velha fora de casa vai custar, e por isso, quero ajudar na parte que compete à mim. Elas sabem q meu maior sonho é morar sozinha, e fazem questão de comentar sobre o assunto sempre perto de mim, ou então falam: "aii, achamos um lugar legal, sabe, é assim assado", como se eu fosse obrigada a achar legal também. Quando eu disse que logo quero ir morar fora (em outra cidade), ela disse: "mas você ainda tem dois anos de faculdade!". Legal, você tem um ano e meio. E vejo que um dos motivos pelo qual ela sai sou eu e meu gato, eu e meu comporamento, eu e meu modo de vida. A gente nunca se deu bem, e lamentavelmente (ou não), acho que nunca haverá um entendimento mútuo.
É, por um lado eu acho massa, porque depois de 19 anos terei um quarto só pra mim. Por outro, as coisas ficarão bem apertadas de dinheiro. Mesmo assim, fico pensando que é melhor, ainda mais se eu conseguir o freela que tô pensando. Terei que aguentar as duas jogando na minha cara que eu moro com a mãe, mas, pelo menos, ficarei mais tranquila para me estabilizar e sair de vez, pra nunca mais voltar. Já pensei milhões de vezes em sair na louca, largar a faculdade e arranjar um emprego que pague melhor. Mas vejo que é não é ideal. Não adianta nada sair e continuar dependendo do dinheiro da mãe. Espero mais dois anos e saio pra estudar, pra trabalhar, pra viver. Melhor assim.
Chega disso!
As férias estão vindo em boa hora. Tudo bem que provavelmente eu trabalharei o mês inteiro no Unifolha, e que acho que não poderei viajar, mas só de saber que eu terei tempo pra relaxar, ler, escrever, mexer com meu projeto de iniciação e desenvolver o projeto com os gatos de rua que habitam o Campus da faculdade, já é uma coisa ótima. Fora o tempo que poderei ficar com meu guri e com a Pan, que aliás, tá uma folgadinha. Saquem a pose a là Garfield!

I've got a new complaint
Não sei bem como começar um desabafo. Nunca sei. Mas sei que preciso.
Já devo ter dito anteriormente que escrever para mim é algo vital. E digo isso não da forma literal, acreditem. É questão de sobrevivência, de saúde, de sanidade. Algumas vezes eu me deparei com situações onde sofri algo incrivelmente doído e não tinha um pedaço de papel e uma caneta por perto. Horas depois eu estava vomitando, com febre, com dores na cabeça ou no estômago. Não foram poucas vezes, garanto. Mas quando eu sentava com uma caneta na mão, muitas vezes as lágrimas escorrendo e pingando no papel, como que por mágica a dor amenizava, e eu podia respirar novamente.
Hoje foi um desses dias em que não havia papel e caneta por perto. Já me cansei de discutir, de levar bordoadas de graça. Sei lá. Não quero mais discutir, não tenho mais vontade de brigar pelas coisas. Fodam-se os outros. Eu tenho uma irmã que deve ter algum problema de dupla personalidade, não é possível. Com os outros, lá fora, ela é um amor. Dentro de casa, não tanto com as minhas outras irmãs (irmã mais nova e prima), mais comigo, ela é uma escrota. Não sabe falar sem gritar, não sabe pedir por favor, não sabe não ser grossa. Pra ela eu sou o problema da casa, tudo que existe de ruim aqui é culpa minha. O meu bom-humor é uma afronta à ela, as coisas que faço idem. O modo como vivo é errado. Eu sou inútil porque durmo de manhã, trabalho à tarde e estudo à noite. Ela, que não trabalha, estuda de manhã e dorme à tarde, que está certa. Porque eu vou de carro para a faculdade eu sou dondoca. Engraçado que ela também vai.
Ao acordar, ela preparava o almoço, a cara fechada, uma nuvem preta sobre a cabeça. O telefone tocou, e, após soltar um "vai atender o telefone ou sua incapacidade chega à isso?" ou algo do tipo, tudo começou. Nem me dei ao trabalho de responder. Depois, as merdas que ela falou (e que eu insisti em discutir) ficaram no ar. O papel e a caneta me fugiram. Seis horas da tarde, minha cabeça rodava como um redemoinho. Já tirei o remédio da bolsa (havia ido pra casa do Gabriel) e passou. Fui numa festa junina da turma do Gabriel mas não consegui ficar, a cabeça ainda tinindo e trincando. A cerveja amenizou, e vim pra casa.
Ultimamente essa minha irmã fala de ir embora. Mal sabe ela que, quando ela pensar de verdade nisso, eu já estarei bem longe; penso nisso o dia inteiro. O tempo todo. Quero com uma ânsia absurda ir embora, morar sozinha, num apê pequeno e cheio de quadrinhos e almofadas, Pan e seu futuro irmão me fazendo compania, e estou estudando e trabalhando pra isso. Aliás, se não fosse Pan, nem sei o que seria de mim nessa casa. Ela é minha compania silenciosa, que se aconchega do meu lado, que vem me ver quando estou no computador, pede colo, assopra meu rosto. Acho que converso mais com ela do que com o resto da família. Se ela não estivesse aqui, eu estaria dez vezes pior. Num estado de inércia maior, de raiva e opressão piores. Nem sei, não quero pensar muito nisso. O que sobra pra mim nessas situações é o que deve ficar, o foco que não deve sair da minha cabeça: eu preciso sair daqui.
P.S: Cash, meu presente de dia dos namorados, feito de veludo, gesso e olhos de miçanga.
Nada de nada!
Depois de um dos melhores fins-de-semana da minha vida, volto à tona.
Viajei com a faculdade pro Intercom Centro-oeste 2008. Idílica cidade de Dourados-MS, onde tudo se faz à pé. Fiquei no apartamento da Renata, amiga de provas de filosofia retirante de Ponta Porã, que havia caído de paraquedas em Campo Grande em 2007 e posteriormente mudado-se para Dourados City. Karol e Alessandra e eu, junto com mais 4 meninas, sendo 3 moradoras oficiais do kitnete. Sobrou bagunça, risadas, bebedeira e faxina pra geral. Eu até cozinhei! Tirando o fato de que Karol vomitou de bêbada meu precioso escondidinho, e isso deixou trauma, tava gostoso o prato de batatas-carne-queijo. O congresso que é bom, com suas palestras e mesas redondas intelectuais, desse eu não me lembro! Só lembraria por adivinhação, porque vi meio mini-curso e meia palestra. Mas foi tão bom conhecer as garotas e falar besteira sem dormir, só beber e comer porcarias que engordam, além de andar horrores, é claro. Tanto que em julho vamos repetir a dose.
Ver os professores bêbados na balada do congresso também foi divertido. Cheguei no sábado direto para a festa junina bizarra q minha mãe fazia na chácara. Fritando há 24 horas sem dormir, ainda com resquícios de bebedeira que começava a virar ressaca, lembranças ótimas e joelho estourado. Mil pessoas pra cumprimentar, sorrir e explicar que minha cara de cú devia-se ao cansaço da viagem. Fazer recusas à fantasia de caipira também fazia parte. Enxergar um prato de comida foi lindo!
Mas, pra sair do caos de prova, trampo e trabalhos, faria (e beberia) tudo de novo.
P.S: Pra quem perguntou da Pan, ela tá ótima. Foi castrar semana passada, e, no terceiro dia, já tava caçando grilos, comendo que nem uma leoa e tentando arrancar o curativo na base do dente. A roupinha de meia que confeccionei com esmero foi retalhada em questão de minutos. Trocar o curativo era uma proeza realizável apenas com três pessoas colaborando. Odiou a coleira com identificação que coloquei nela e hoje ficou o dia todo brava comigo porque quis cortar as unhas assassinas dela. Audácia!
