
Daiane "Lyra" Líbero, 19 anos. Campo Grande MS.
Estudante de jornalismo. Prefere gatos, sorvete de pistache e a cor vermelha.
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Quinta-feira, Julho 24, 2008
Pan on Caravan
- Pai, cadê a Pan?
- Ué? sei lá.
- Quando você chegou, viu ela?
- Vi. Tirei a Caravan pra sua tia poder sair de camionete.
* Procura pela casa inteira. Pega petisco e batuca na embalagem na esperança da gordinha vir correndo fazendo 'prrrrrrrr'. Dá a volta na quadra, chamando. Abre todos os armários da casa, procurando. Suspira *
- Pai, tem certeza?
- Tenho! Até eu tirar o carro e entrar de volta na garagem, ela tava aqui quieta.
- Acho que eu vou dar outra volta na...
* Olha para a seta ligada, piscando, da caravan *
- Pai, acho que você largou a seta ligada na cara... PAN!!!!!!!!!!!!!!!!!
E a Pan, como por mágica, me olha através do vidro de insufilme, a cabecinha atenta, o corpinho apoiado em cima do volante, a patinha metade branca sobre a seta. Correndo até o carro pra abrir a porta pra danada, ela, educada, ainda bateu a patinha novamente, desligando o botão. Ainda me olhou com uma cara de: "ah, você não tava me vendo, resolvi fazer um sinal! dei seta!"
Pois é. Desse jeito, vai acabar indo pra auto-escola. O que muitos motoristas mal-educados não fazem no trânsito, a pestinha até já faz!
Esforço coletivo
Quando decidi arregaçar as mangas para ter o quarto dos sonhos, depois que minha irmã foi morar em outro lugar e desocupou um quarto, não pensei que fosse dar tanto trabalho. Gastei uma grana que reservara ao futuro notebook para comprar tapetes, luminária e outros badulaques interessantes, já que eu sou uma daquelas pessoas que acha que "minha casa é meu quarto". Decidi não economizar, e gastar nem que fossem 10 latas de tinta para tirar o verde da parede. Nada contra, até que gosto de verde, mas é que, depois de morar num quarto que dividia com a outra irmã que já tinha sido amarelo, roxo e vermelho, decidi optar pelo trivial branco e investir no vermelho dos enfeites. O verde que minha irmã e minha prima haviam pintado me irritava, porque era daqueles verdes bonitos-mas-irritantes, tipo verde água. Sem falar que, assim como a parede vermelha do ex-quarto, a tinta verde estava esbranquiçada pelos processos químicos naturais.
Correndo contra o tempo, começou a operação pintar-parede. Sete demãos de tinta branca e meia depois, eis o resultado:
Isso foi pouco antes de eu colocar a cama e arrumar o guarda-roupa de mil portas herdado das antigas inquilinas (que, na casa nova, já deram um jeito de comprar 2 outros novos guarda-roupas imensos!). Pra vocês terem idéia de como eu não tenho nada nessa vida (rs), quando desocupei o antigo e sobraram só as coisas da irmã mais nova, nem parecia que eu estava me mudando. Gabriel me ajudou a pintar a parede, e ficamos os dois salpicados de bolinhas branca. Até uma madeixa de vampira do x-men eu ganhei. Sobrou até para Pan, que, visando contribuir com seu apoio moral, apesar dos meus protestos de que o cheiro forte ía fazer mal para a pequena, acabou com a ponta do rabo pintado, depois de se esfregar numa parede molhada. Mas ela até que nem atrapalhou, porque seu posto, sempre, não importa se você está montando lego ou lavando o banheiro, é sentar num lugarzinho (seco e confortável) e observar, com um olhar de "vai minha filha! você consegue!". Dois dias depois de muita tinta, limpeza, guardação de coisas, e depois que 1/4 do armário foi ocupado com minhas coisas, Gabriel e eu brindamos o esforço com pizza de frigideira e cerveja. Pan até recebeu ração em sachê pela contribuição!

Areia
Finalmente terminei de ler a saga de Sandman, de Neil Gaiman. Aspiração antiga essa, de ler a famosa HQ, que demorou 9 anos para ser concluída e editada no Brasil, tendo começado em 1989 (ano em que nasci). Pena que não pude ler no papel, gibi/livro. Tive que ler as edições virtuais, baixar uma por uma, ao todo, 75, porque não imprimem mais os primeiros passos de Morpheus. E, quem tem impresso, tá vendendo por 250 paus (apenas o primeiro arco, que contém da primeira à nona edição) no mercado livre. Foram noites em claro, tentando me manter confortável na cadeira do computador, irritada com a luz branca da sala, repetindo o playlist 3 vezes. Mas eu consegui, e foi a melhor coisa que li em muito tempo. Tão inspirada, enquanto ainda não havia saído de férias do Unifolha (o que aconteceu semana passada), até fiz uma resenha, tão onírica quanto o mundo de Sonho dos Perpétuos.
Pois é, férias a todo vapor e eu ainda não consegui mudar de quarto. Minha irmã mais nova chega domingo e eu ainda não pude ir pro meu quarto porque não comecei a pintar. Minha mãe me enrola todo dia com a maldita tinta, nao me deixa ir lá comprar mas também não vai. Mas não me mudo com aquele verde na parede! se é pra finalmente ter um quarto só pra mim, que ele esteja do jeito que eu quero!
Falar nisso, depois que minha irmã e minha prima de mudaram, a casa tá uma paz. Silenciosa. Tudo tranquilo. Sem brigas nem nada do tipo. E, finalmente, a Pan pode dormir dentro de casa. Ah, não consegui resgatar a gatinha grávida. Ela tá esperta, é só me ver que sai correndo e some. Mas eu não desistirei tão fácil!
Hoje foi engraçado, Gabriel e eu fizemos um dueto teclado-violão, de In My Head, do Queens of the stone age. Também estou voltando a compor. Não é legal?
Paz, paz. Em doses homeopáticas.
Dia de Amélia (ou O tapete errante)
Cara! hoje eu fiquei de homework! HAHA!
É que eu tinha faxina (Amélia xitááá *barulho de chicote*) pra fazer e tinha que ir no centro comprar tecido p/ costurar minhas almofadas. Por isso, deixei matérias prontas, enviei para o sistema do site do meu computador mesmo e fiquei em casa. Meu sonho é poder trabalhar em casa, um dia, e ganhar um montão por isso. Fácil, né?
Tô feliz, me sentindo bem. Algumas coisas entrando nos eixos, outras não, mas... quem se importa?
Minha irmã veio aqui hoje, e, ao olhar pra ela, constatei algumas coisas... minha raiva passou. Sei que ela tinha inúmeras razões para sair de casa, e que eu era uma dessas razões. Mas ela me pareceu infeliz. Reprovo o modo como ela agiu quando ía sair de casa, mas parece que só quando ela realizou o que queria é que percebeu que não era lá essas coisas. Morar sozinha é um dos meus sonhos, e eu sei que é ótimo, mas acho que o jeito que ela saiu fica sendo uma espécie de "luzinha" que apita de vez em quando pra relembrar como foi. Incômodo. Eu sei, todos vocês, poucas boas almas que lêem essas linhas. Eu admito: vocês tinham razão sobre tudo.
Sim, Johnny&June foram adotados. Estão completamente integrados e felizes com a nova família. Meu próximo passo é resgatar uma gatinha siamesa abandonada na faculdade que, como se diz em Gatoca, está recheada de gatinhos-surpresa. Já arrumei um lar temporário pra ela, na minha vizinha, que tem uma casa enorme e ama gatos. Agora falta mover a molecada para arrecadação de grana para castrar depois que a pequena der cria, ração e areia, e também campanhas para dono, e tudo isso pra ontem, porque a gatinha carrega um barrigão invejável. O mais difícil, o lar temporário, eu já fiz. O resto, talvez seja mais fácil. E depois dela, é a vez de castrar e arrumar dono para um petibanco meio velhinho que mora no redondo (local onde se localizam as lanchonetes). E depois é a vez...
Hoje fui com Gabriel à Feira Central, comer pastel. Três reais a porcaria engordurada do pastel minúsculo, com pouco recheio e que queimou minha boca de esfomeada. Absurdo. Depois fomos olhar as barraquinhas, e tinham uns tapetes artesanais super baratos, que, segundo o vendedor, eram feitos por umas moças presidiárias não sei aonde. Rende uma boa matéria, então troquei telefone com o vendedor, e comprei três tapetes. O último a ser escolhido, branco e vermelho, puxei de uma pilha. Quando cheguei em casa, vi que dentro dele havia um outro tapete, a mais. O que fazer? acho que amanhã vou lá devolver o tapete extraviado. Não é meu, não paguei por ele. Vou ver se ligo pro vendedor pra poder fazer isso logo cedo, antes de ir trabalhar.
PS: Vocês viram, na foto acima, como Pan está digitalmente inclusa?
Pequenas doses
Desculpem o hiato e a falta de comentários. Juro que a rotina por aqui anda sendo uma meta. Eu chego lá!
Tudo anda uma bagunça. A presença assídua de pedreiros e pintores mexendo por toda a casa têm me irritado profundamente. Minha irmã e minha prima se mudaram, e eu respiro um pouco melhor por causa disso. O quarto delas, que agora é meu, permanece vazio. Pan que adorou, já que antes ela não podia entrar lá e agora pode! entra e cheira tudo, como se não acreditasse. Depois pula como uma alucinada nos plásticos de colchão herdados da mudança das duas, e que irei utilizar no processo de pintar as paredes. Será meu canto sagrado, depois de dividir quarto a vida inteira. Comecei a colecionar coisas para decorar. Quadros do Sandman. Luminária laranja. Gatos de gesso em miniatura.
A raiva pela mudança da minha irmã passou, mas não de todo. Elas se mudaram, para uma casa linda, mas nada daquilo pertence a elas. Ontem, quando fui provocada com a frase: "Cala a boca que você ainda mora com a sua mãe!" a minha vontade era responder: "ah é? e você mora 'sozinha' porque ela te sustenta!". Mas fiz um esforço tão grande pra não falar nada que até me senti cansada depois. Deixa assim. Deixe ela pensar que é super independente, porque, no fundo, ela sabe que depende muito mais do que eu, que vivo sob o mesmo teto que a 'velha' família. Deixa assim. Me sentindo calma porque estou vendo que minha vida anda entrando no eixo. Claro que é num eixo completamente inverso das pessoas, a começar pelo fato de que 'eixo' pra mim é poder ficar vivendo de madrugada, sem reclamações por causa da antagonista-irmã.
Os gatinhos Johnny&June estão à um passo de serem adotados, e isso me deixou imensamente feliz! e o melhor, talvez morem numa casa gigante e linda, com mais 5 irmãos-gatos (esses não quererão ir morar fora sendo sustentados pela mãe!). Veremos. Mas é quase certeza. Agora penso: que bom que não dei ouvidos à ninguém e fui em frente tentando achar um lar pros dois pequenos. Que bom que os gritos da torcida-contra entraram por um ouvido e saíram pelo outro.
Em uma semana, eu aprendi a ter paciência de um jeito que eu não consegui em 19 anos.
PS: Espero que gostem do novo layout!
Corrida contra o tempo
No domingo à noite, estava na casa do Pejota prestes a começar a ver um filme. Meu celular tocou e, ouvi uma frase que as pessoas só deveriam usar em casos extremos, tipo, quando alguém morre... Ou quando acontece algo com seu bicho.
"Daiane, você não sabe o que aconteceu!"
O que ela me contava num rompante (que me fez pensar em milhões de coisas ruins que poderiam acontecer com a Pan) é que dois gatinhos apareceram lá em casa. Uma cinza claro, sialata, e um pretinho gordinho, ambos entre 6 e 7 meses. Não consegui pensar em mais nada, nem no filme que começava. Assim que vi as letrinhas de créditos subirem na tela, catei minha bolsa e corri pra casa.
Chegando lá sabia que, passado o estupor da minha família de "óóóóó, que bonitinhos!! tão carinhosos!", logo eles iriam querer devolver os coitados pra rua, pro CCZ ou para o raio que o parta. Começou aí minha corrida contra o relógio, para que Johnny & June tenham sua merecida cota de sofás, cafuné e raçãozinha.
No mesmo dia, depois de abraçá-los, apertá-los, dar ração e cafuné, e de impedir a Pan de cometer um gaticídio duplo, com a maior dor no coração deixei-os na varanda de casa, com acesso à rua, porque ninguém permitiu que eu os recolhesse. Coloquei uma caixinha improvisada para tentar aplacar o frio. E eles ficaram. Bati de porta em porta tentando saber se eles pertenciam à alguém (tão mansos que passariam por gato-com-dono fácil fácil), e descobri que a bruaca da ex-vizinha, que morava num casebre, se mudou e abandonou 5 gatos (com eles) e uns cachorros à própria sorte, e que os vizinhos vinham se revezando para alimentá-los. Os cachorros foram doados, a mamãe dos gatinhos sumiu há meses. Um irmãozinho deles foi adotado depois de ser jogado numa casa, e o outro (idêntico à June) é extremamente arisco e não chega nem perto. Um gatinho que "frequentava" a casa foi atropelado.
Pela manhã, minha irmã mais velha (ela mesma, a antagonista dos posts abaixo), me acordou aos gritos, sete da matina, pra que eu fosse tirar "esses gatos" dali. Coloquei a caixinha para longe da entrada, pra que ninguém esbarrasse neles. Fiz um perfil no orkut contando a historinha. Pedi que esperassem, pois eu arranjaria dono pra eles. Liguei pra deus e o mundo e nada.
Hoje eles ainda estavam ali, depois de darem uma voltinha. Minha irmã me acordou novamente gritando pelo mesmíssimo motivo. Disse pra eu dar sumiço neles logo. Sem celular e com a internet previamente cortada, liguei novamente para lugares, até para um pet shop. Minha intenção seria doa-los juntos, pois são inseparáveis. Mas para impedir que acontecesse algo de ruim, tava disposta a leva-los no pet mesmo que fossem adotados separadamente. Mas, segundo a atendente da loja, eles eram "velhos demais" para concorrerem à uma família-comercial-de-margarina. Falácias à parte, estava difícil.
A todo momento alguém me cobrava por alguma coisa. O cocô que eles haviam feito no jardim; a casinha que estava à vista; os miados. Minha cabeça começou a doer. A gota d'água foi o momento em que eu estava tentando localizar algum lar temporário para eles, e minha madrinha chegou e acabou comigo. Comecei a chorar de raiva, cada vez que ela dizia que "são apenas gatos. Se fossem crianças, eu te dava apoio. São apenas gatos de rua, larga eles aí, você tá errada, tá agindo feito idiota, nunca vai arrumar donos pra eles, deixa na rua!". As lágrimas brotavam em cascata, eu soluçava, minha vontade era quebrar alguma coisa, chutar a cara de todos. Quando entrei no quarto, dei um soco na parede que feriu minha mão, mas a dor me trouxe à tona. Pan foi meu consolo.
Assim que todos saíram, fui até a casa abandonada, da ex-dona. Está cheia de escombros, mas pelo menos tinha um teto. Levei a caixinha deles pra lá, varri a área, lavei um cobertor velho comido de barata que achei (a cama deles), até sair todo o cheiro e a sujeira, e só restar o cheiro de amaciante, cobri o chão com jornal, coloquei potões com comida e água, e levei os dois. No meu colo, atravessando uma rua movimentada, eles ficaram assustadiços, mas nem sequer estenderam as unhas para me arranhar. Enquanto os olhava comer e me despedia, fechando o portão precário, uma senhora se aproximou. Disse que ela e mais 4 vizinhos vinham alimentando os bichinhos, mas nenhum poderia adotar, infelizmente. Eu disse que encontraria um lar pra eles, e, assim que possível, castraria. Ela disse que só não havia castrado-os antes por falta de tempo e lugar para o pós-operatório, mas que era bom que eu estava mexendo, porque ela ía dar um jeito. June, a fêmea, estava na idade de entrar no cio, e a qualquer momento poderia ficar prenhe. 45 do segundo tempo.
Na hora do almoço, o interfone tocou e era D. Sandra. Segurando uma caixa de transporte na mão, ela disse que havia acabado de levá-los para castrar. Depois de dois dias nervosa, chorando, correndo sem parar, dei um sorriso. Disse que o pós-operatório era por conta dela. Me comprometi a achar um dono, e estou à caça.
Rezo pra que tenha um final feliz para as duas figurinhas. Das 10 pessoas que conheceram os bigodinhos, duas quiseram me ajudar, D. Sandra e Lane, minha caloura que eu ajudo a alimentar os peludos da faculdade, e que nem sequer viu os irmãozinhos.
Se eu pudesse, hoje, impingir o sofrimento que um animal de rua passa numa pessoa, eu o faria.
Chego à conclusão de que gosto cada vez menos dos seres humanos.