Daiane "Lyra" Líbero, 19 anos. Campo Grande MS. Estudante de jornalismo. Prefere gatos, sorvete de pistache e a cor vermelha.  

Bruh. Erika. Amy. Aline Lenore. Melissa. André. Gury. Gabii. Dê. Carol M. Monólogo Destrutivo. Unifolha. Gatoca. Caroline Leite. Kamilla. Teresa.

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a sutil arte do sarcasmo. Notívaga de nascimento
Filmes e filmes

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Terça-feira, Agosto 12, 2008

Sartre já dizia



As horas do dia ficam me fugindo. Acho que têm medo de mim, por isso fogem e demoram a passar.

Queria que o momento em que eu pudesse ter minha vida independentemente de qualquer idiota que cruza meu caminho chegasse logo. Idiossincrasias me irritam. Gosto de quem me aceita como eu sou, porque é recíproco, e eu me sinto disposta a aceitar as diferenças, mas parece que algumas pessoas não. Eu sou chata? meu papo é chato? eu não aguento muito tempo monólogos, prefiro ouvir miados a ouvir 'eu eu eu'? simples, não fale comigo. Pra que tanta falsidade, hipocrisia? pessoas normais, aquelas que não ligam pra porra de balada nenhuma, são entediantes, eu sei disso porque sou uma delas. Deve ser legal me conhecer, me achar uma chata, mas continuar falando comigo pra ter assunto com outra pessoa. Pois é, o mecanismo desse tipo de gente deve funcionar assim: preciso falar com todo mundo pra sempre poder falar mal de alguém.

Sou normal porque fico numa boa com as coisas que me cercam. Não tem nada de extraordinário na minha vida para quem vive a mil por hora. Vou falar o quê? dar corda e me importar se me acham esquisita? se acham ruim porque eu quero que se dane o resto do mundo? explodam todos, botão de clique. Bum!

Sartre é que era feliz: na dúvida, ele mandava todo mundo à merda.

Lyra at 1:22:49 AM



Quinta-feira, Agosto 07, 2008

Mudando de ares



Sempre pensei que um blog era mais do que apenas um diário. Local para se falar da vida, da morte, e da própria sorte, sem a obrigatoriedade do cotidiano, ordem cronológica, ou algo do tipo. Nos últimos tempos, acho que o Tecla Maldita vinha se tornando exatamente o que eu achava que não era, de modo meio egoísta. Não achei isso ruim de todo, mas decidi mudar de "ares". Inspirada pelo trabalho que tenho feito com alguns gatos (o caso do Nolito, conto-lhes depois), pelas aventuras da Pan, e pelas histórias que meu pai e avó contam, além do que leio e vejo por aí de pessoas que possuem uma relação especial com felinos, decidi criar Gacum. (Ah, e por esse blog aqui também ^^)

Reunirá crônicas "gatináceas" (ou nem tanto), narrações de peripécias da Pan, meus resgates atrapalhados de gatinhos, fotos, artigos sobre o mundo felino e o que mais me der na telha. Tentei linkar todo mundo daqui, e se esqueci de alguém, só me avisar que linko lá, já que o sistema do blogspot evoluiu 444% desde a última vez que me atrevi a usa-lo, e devo dizer que é bem menos (-222%) trabalhoso do que usar o blogger brasil. Finalmente, acho que entendo porque o sistema brasileiro de blogger está às moscas.

Mas teclamaldita ainda tem um espaço em meu coração, e por isso, as postagens continuarão por aqui até que eu decida (ou não) dizer chega. Aí cabe à vocês decidirem onde comentar. Novos ares, as mesmas trapalhadas. Lá serão trapalhadas de bigodes, e por aqui o cotidiano, inspirado ou não pela acidez condizente, com erros de ortografia e tudo, continua, sem pudor nenhum.
Sintam-se bem vindos em Gacum e outras histórias.

Lyra at 1:11:33 AM



Sexta-feira, Agosto 01, 2008

Problemas da vida (ou da privada)



Os problemas de se ter uma família extremamente caricata são os seguintes:

1. Seu pai demora 7 semanas pra instalar uma luminária ridícula em seu quarto, que, de tão fácil de instalar, se sua gata tivesse polegares, ela faria isso em meia hora. E ele ainda culpa você pela demora, porque você dorme até tarde.
2. Sua mãe resolve virar apicultora de uma hora pra outra e coloca seu namorado (porque é biólogo) na presepada. Quando ele não pode, sobra pra você vestir a roupa bizarra, acordar 4 da manhã e ir transportar caixas repleta de insetos dos quais você sente um verdadeiro pânico num carro com os vidros fechados por meia hora. E sua mãe ainda diz que quer que você vai pra "não se sentir sozinha".
3. Seu pai ganha três catetos do filho de um funcionário, e resolve fazer um criatório clandestino na chácara da família. Até aí tudo bem, se isso não acontecesse em menos de 2 dias (e sua luminária permanece desmontada) e não fosse crime, segundo o IBAMA.
4. Você avisa para o seu pai que a multa de criar catetos sem autorização é absurdamente alta, e ele ri da sua cara.
5. Sua mãe conversa mais com os passarinhos gordos que comem a ração do seu gato do que com você.
6. Sua mãe demora 8 anos para vender um teclado que ninguém queria, dizendo que "um dia aprenderei a tocar". Quando ela decide vender a velharia, não vale mais nada. E ela ainda culpa você.
7. Eles brigam com você porque você dorme demais, mas quando você argumenta que tira notas altas, limpa a casa toda sozinha, trabalha e paga sua cerveja, no momento em que você está falando, eles começam a assistir 'a favorita', compenetrados.
8. Seu pai pensa que tem 12 anos de idade, e, quando você fala isso pra ele, ele concorda.
9. Sua mãe pensa que você tem 12 anos de idade.

E, depois de tudo isso, se quando você diz que não vê a hora de morar sozinha, eles ficam bravos, parabéns! sua família é caricata e lunática como a minha!

Lyra at 7:59:23 PM



Quinta-feira, Julho 24, 2008

Pan on Caravan



- Pai, cadê a Pan?
- Ué? sei lá.
- Quando você chegou, viu ela?
- Vi. Tirei a Caravan pra sua tia poder sair de camionete.
* Procura pela casa inteira. Pega petisco e batuca na embalagem na esperança da gordinha vir correndo fazendo 'prrrrrrrr'. Dá a volta na quadra, chamando. Abre todos os armários da casa, procurando. Suspira *
- Pai, tem certeza?
- Tenho! Até eu tirar o carro e entrar de volta na garagem, ela tava aqui quieta.
- Acho que eu vou dar outra volta na...
* Olha para a seta ligada, piscando, da caravan *
- Pai, acho que você largou a seta ligada na cara... PAN!!!!!!!!!!!!!!!!!
E a Pan, como por mágica, me olha através do vidro de insufilme, a cabecinha atenta, o corpinho apoiado em cima do volante, a patinha metade branca sobre a seta. Correndo até o carro pra abrir a porta pra danada, ela, educada, ainda bateu a patinha novamente, desligando o botão. Ainda me olhou com uma cara de: "ah, você não tava me vendo, resolvi fazer um sinal! dei seta!"
Pois é. Desse jeito, vai acabar indo pra auto-escola. O que muitos motoristas mal-educados não fazem no trânsito, a pestinha até já faz!

Lyra at 11:23:26 PM



Domingo, Julho 20, 2008

Esforço coletivo



Quando decidi arregaçar as mangas para ter o quarto dos sonhos, depois que minha irmã foi morar em outro lugar e desocupou um quarto, não pensei que fosse dar tanto trabalho. Gastei uma grana que reservara ao futuro notebook para comprar tapetes, luminária e outros badulaques interessantes, já que eu sou uma daquelas pessoas que acha que "minha casa é meu quarto". Decidi não economizar, e gastar nem que fossem 10 latas de tinta para tirar o verde da parede. Nada contra, até que gosto de verde, mas é que, depois de morar num quarto que dividia com a outra irmã que já tinha sido amarelo, roxo e vermelho, decidi optar pelo trivial branco e investir no vermelho dos enfeites. O verde que minha irmã e minha prima haviam pintado me irritava, porque era daqueles verdes bonitos-mas-irritantes, tipo verde água. Sem falar que, assim como a parede vermelha do ex-quarto, a tinta verde estava esbranquiçada pelos processos químicos naturais.

Correndo contra o tempo, começou a operação pintar-parede. Sete demãos de tinta branca e meia depois, eis o resultado:



Isso foi pouco antes de eu colocar a cama e arrumar o guarda-roupa de mil portas herdado das antigas inquilinas (que, na casa nova, já deram um jeito de comprar 2 outros novos guarda-roupas imensos!). Pra vocês terem idéia de como eu não tenho nada nessa vida (rs), quando desocupei o antigo e sobraram só as coisas da irmã mais nova, nem parecia que eu estava me mudando. Gabriel me ajudou a pintar a parede, e ficamos os dois salpicados de bolinhas branca. Até uma madeixa de vampira do x-men eu ganhei. Sobrou até para Pan, que, visando contribuir com seu apoio moral, apesar dos meus protestos de que o cheiro forte ía fazer mal para a pequena, acabou com a ponta do rabo pintado, depois de se esfregar numa parede molhada. Mas ela até que nem atrapalhou, porque seu posto, sempre, não importa se você está montando lego ou lavando o banheiro, é sentar num lugarzinho (seco e confortável) e observar, com um olhar de "vai minha filha! você consegue!". Dois dias depois de muita tinta, limpeza, guardação de coisas, e depois que 1/4 do armário foi ocupado com minhas coisas, Gabriel e eu brindamos o esforço com pizza de frigideira e cerveja. Pan até recebeu ração em sachê pela contribuição!

Lyra at 9:27:09 PM



Quarta-feira, Julho 16, 2008

Areia



Finalmente terminei de ler a saga de Sandman, de Neil Gaiman. Aspiração antiga essa, de ler a famosa HQ, que demorou 9 anos para ser concluída e editada no Brasil, tendo começado em 1989 (ano em que nasci). Pena que não pude ler no papel, gibi/livro. Tive que ler as edições virtuais, baixar uma por uma, ao todo, 75, porque não imprimem mais os primeiros passos de Morpheus. E, quem tem impresso, tá vendendo por 250 paus (apenas o primeiro arco, que contém da primeira à nona edição) no mercado livre. Foram noites em claro, tentando me manter confortável na cadeira do computador, irritada com a luz branca da sala, repetindo o playlist 3 vezes. Mas eu consegui, e foi a melhor coisa que li em muito tempo. Tão inspirada, enquanto ainda não havia saído de férias do Unifolha (o que aconteceu semana passada), até fiz uma resenha, tão onírica quanto o mundo de Sonho dos Perpétuos.

Pois é, férias a todo vapor e eu ainda não consegui mudar de quarto. Minha irmã mais nova chega domingo e eu ainda não pude ir pro meu quarto porque não comecei a pintar. Minha mãe me enrola todo dia com a maldita tinta, nao me deixa ir lá comprar mas também não vai. Mas não me mudo com aquele verde na parede! se é pra finalmente ter um quarto só pra mim, que ele esteja do jeito que eu quero!
Falar nisso, depois que minha irmã e minha prima de mudaram, a casa tá uma paz. Silenciosa. Tudo tranquilo. Sem brigas nem nada do tipo. E, finalmente, a Pan pode dormir dentro de casa. Ah, não consegui resgatar a gatinha grávida. Ela tá esperta, é só me ver que sai correndo e some. Mas eu não desistirei tão fácil!

Hoje foi engraçado, Gabriel e eu fizemos um dueto teclado-violão, de In My Head, do Queens of the stone age. Também estou voltando a compor. Não é legal?
Paz, paz. Em doses homeopáticas.

Lyra at 10:12:28 PM



Quinta-feira, Julho 10, 2008

Dia de Amélia (ou O tapete errante)



Cara! hoje eu fiquei de homework! HAHA!
É que eu tinha faxina (Amélia xitááá *barulho de chicote*) pra fazer e tinha que ir no centro comprar tecido p/ costurar minhas almofadas. Por isso, deixei matérias prontas, enviei para o sistema do site do meu computador mesmo e fiquei em casa. Meu sonho é poder trabalhar em casa, um dia, e ganhar um montão por isso. Fácil, né?

Tô feliz, me sentindo bem. Algumas coisas entrando nos eixos, outras não, mas... quem se importa?
Minha irmã veio aqui hoje, e, ao olhar pra ela, constatei algumas coisas... minha raiva passou. Sei que ela tinha inúmeras razões para sair de casa, e que eu era uma dessas razões. Mas ela me pareceu infeliz. Reprovo o modo como ela agiu quando ía sair de casa, mas parece que só quando ela realizou o que queria é que percebeu que não era lá essas coisas. Morar sozinha é um dos meus sonhos, e eu sei que é ótimo, mas acho que o jeito que ela saiu fica sendo uma espécie de "luzinha" que apita de vez em quando pra relembrar como foi. Incômodo. Eu sei, todos vocês, poucas boas almas que lêem essas linhas. Eu admito: vocês tinham razão sobre tudo.

Sim, Johnny&June foram adotados. Estão completamente integrados e felizes com a nova família. Meu próximo passo é resgatar uma gatinha siamesa abandonada na faculdade que, como se diz em Gatoca, está recheada de gatinhos-surpresa. Já arrumei um lar temporário pra ela, na minha vizinha, que tem uma casa enorme e ama gatos. Agora falta mover a molecada para arrecadação de grana para castrar depois que a pequena der cria, ração e areia, e também campanhas para dono, e tudo isso pra ontem, porque a gatinha carrega um barrigão invejável. O mais difícil, o lar temporário, eu já fiz. O resto, talvez seja mais fácil. E depois dela, é a vez de castrar e arrumar dono para um petibanco meio velhinho que mora no redondo (local onde se localizam as lanchonetes). E depois é a vez...

Hoje fui com Gabriel à Feira Central, comer pastel. Três reais a porcaria engordurada do pastel minúsculo, com pouco recheio e que queimou minha boca de esfomeada. Absurdo. Depois fomos olhar as barraquinhas, e tinham uns tapetes artesanais super baratos, que, segundo o vendedor, eram feitos por umas moças presidiárias não sei aonde. Rende uma boa matéria, então troquei telefone com o vendedor, e comprei três tapetes. O último a ser escolhido, branco e vermelho, puxei de uma pilha. Quando cheguei em casa, vi que dentro dele havia um outro tapete, a mais. O que fazer? acho que amanhã vou lá devolver o tapete extraviado. Não é meu, não paguei por ele. Vou ver se ligo pro vendedor pra poder fazer isso logo cedo, antes de ir trabalhar.

PS: Vocês viram, na foto acima, como Pan está digitalmente inclusa?

Lyra at 3:29:29 AM



Terça-feira, Julho 08, 2008

Pequenas doses



Desculpem o hiato e a falta de comentários. Juro que a rotina por aqui anda sendo uma meta. Eu chego lá!
Tudo anda uma bagunça. A presença assídua de pedreiros e pintores mexendo por toda a casa têm me irritado profundamente. Minha irmã e minha prima se mudaram, e eu respiro um pouco melhor por causa disso. O quarto delas, que agora é meu, permanece vazio. Pan que adorou, já que antes ela não podia entrar lá e agora pode! entra e cheira tudo, como se não acreditasse. Depois pula como uma alucinada nos plásticos de colchão herdados da mudança das duas, e que irei utilizar no processo de pintar as paredes. Será meu canto sagrado, depois de dividir quarto a vida inteira. Comecei a colecionar coisas para decorar. Quadros do Sandman. Luminária laranja. Gatos de gesso em miniatura.

A raiva pela mudança da minha irmã passou, mas não de todo. Elas se mudaram, para uma casa linda, mas nada daquilo pertence a elas. Ontem, quando fui provocada com a frase: "Cala a boca que você ainda mora com a sua mãe!" a minha vontade era responder: "ah é? e você mora 'sozinha' porque ela te sustenta!". Mas fiz um esforço tão grande pra não falar nada que até me senti cansada depois. Deixa assim. Deixe ela pensar que é super independente, porque, no fundo, ela sabe que depende muito mais do que eu, que vivo sob o mesmo teto que a 'velha' família. Deixa assim. Me sentindo calma porque estou vendo que minha vida anda entrando no eixo. Claro que é num eixo completamente inverso das pessoas, a começar pelo fato de que 'eixo' pra mim é poder ficar vivendo de madrugada, sem reclamações por causa da antagonista-irmã.

Os gatinhos Johnny&June estão à um passo de serem adotados, e isso me deixou imensamente feliz! e o melhor, talvez morem numa casa gigante e linda, com mais 5 irmãos-gatos (esses não quererão ir morar fora sendo sustentados pela mãe!). Veremos. Mas é quase certeza. Agora penso: que bom que não dei ouvidos à ninguém e fui em frente tentando achar um lar pros dois pequenos. Que bom que os gritos da torcida-contra entraram por um ouvido e saíram pelo outro.
Em uma semana, eu aprendi a ter paciência de um jeito que eu não consegui em 19 anos.

PS: Espero que gostem do novo layout!

Lyra at 12:47:38 AM



Terça-feira, Julho 01, 2008

Corrida contra o tempo



No domingo à noite, estava na casa do Pejota prestes a começar a ver um filme. Meu celular tocou e, ouvi uma frase que as pessoas só deveriam usar em casos extremos, tipo, quando alguém morre... Ou quando acontece algo com seu bicho.
"Daiane, você não sabe o que aconteceu!"
O que ela me contava num rompante (que me fez pensar em milhões de coisas ruins que poderiam acontecer com a Pan) é que dois gatinhos apareceram lá em casa. Uma cinza claro, sialata, e um pretinho gordinho, ambos entre 6 e 7 meses. Não consegui pensar em mais nada, nem no filme que começava. Assim que vi as letrinhas de créditos subirem na tela, catei minha bolsa e corri pra casa.
Chegando lá sabia que, passado o estupor da minha família de "óóóóó, que bonitinhos!! tão carinhosos!", logo eles iriam querer devolver os coitados pra rua, pro CCZ ou para o raio que o parta. Começou aí minha corrida contra o relógio, para que Johnny & June tenham sua merecida cota de sofás, cafuné e raçãozinha.
No mesmo dia, depois de abraçá-los, apertá-los, dar ração e cafuné, e de impedir a Pan de cometer um gaticídio duplo, com a maior dor no coração deixei-os na varanda de casa, com acesso à rua, porque ninguém permitiu que eu os recolhesse. Coloquei uma caixinha improvisada para tentar aplacar o frio. E eles ficaram. Bati de porta em porta tentando saber se eles pertenciam à alguém (tão mansos que passariam por gato-com-dono fácil fácil), e descobri que a bruaca da ex-vizinha, que morava num casebre, se mudou e abandonou 5 gatos (com eles) e uns cachorros à própria sorte, e que os vizinhos vinham se revezando para alimentá-los. Os cachorros foram doados, a mamãe dos gatinhos sumiu há meses. Um irmãozinho deles foi adotado depois de ser jogado numa casa, e o outro (idêntico à June) é extremamente arisco e não chega nem perto. Um gatinho que "frequentava" a casa foi atropelado.
Pela manhã, minha irmã mais velha (ela mesma, a antagonista dos posts abaixo), me acordou aos gritos, sete da matina, pra que eu fosse tirar "esses gatos" dali. Coloquei a caixinha para longe da entrada, pra que ninguém esbarrasse neles. Fiz um perfil no orkut contando a historinha. Pedi que esperassem, pois eu arranjaria dono pra eles. Liguei pra deus e o mundo e nada.
Hoje eles ainda estavam ali, depois de darem uma voltinha. Minha irmã me acordou novamente gritando pelo mesmíssimo motivo. Disse pra eu dar sumiço neles logo. Sem celular e com a internet previamente cortada, liguei novamente para lugares, até para um pet shop. Minha intenção seria doa-los juntos, pois são inseparáveis. Mas para impedir que acontecesse algo de ruim, tava disposta a leva-los no pet mesmo que fossem adotados separadamente. Mas, segundo a atendente da loja, eles eram "velhos demais" para concorrerem à uma família-comercial-de-margarina. Falácias à parte, estava difícil.
A todo momento alguém me cobrava por alguma coisa. O cocô que eles haviam feito no jardim; a casinha que estava à vista; os miados. Minha cabeça começou a doer. A gota d'água foi o momento em que eu estava tentando localizar algum lar temporário para eles, e minha madrinha chegou e acabou comigo. Comecei a chorar de raiva, cada vez que ela dizia que "são apenas gatos. Se fossem crianças, eu te dava apoio. São apenas gatos de rua, larga eles aí, você tá errada, tá agindo feito idiota, nunca vai arrumar donos pra eles, deixa na rua!". As lágrimas brotavam em cascata, eu soluçava, minha vontade era quebrar alguma coisa, chutar a cara de todos. Quando entrei no quarto, dei um soco na parede que feriu minha mão, mas a dor me trouxe à tona. Pan foi meu consolo.
Assim que todos saíram, fui até a casa abandonada, da ex-dona. Está cheia de escombros, mas pelo menos tinha um teto. Levei a caixinha deles pra lá, varri a área, lavei um cobertor velho comido de barata que achei (a cama deles), até sair todo o cheiro e a sujeira, e só restar o cheiro de amaciante, cobri o chão com jornal, coloquei potões com comida e água, e levei os dois. No meu colo, atravessando uma rua movimentada, eles ficaram assustadiços, mas nem sequer estenderam as unhas para me arranhar. Enquanto os olhava comer e me despedia, fechando o portão precário, uma senhora se aproximou. Disse que ela e mais 4 vizinhos vinham alimentando os bichinhos, mas nenhum poderia adotar, infelizmente. Eu disse que encontraria um lar pra eles, e, assim que possível, castraria. Ela disse que só não havia castrado-os antes por falta de tempo e lugar para o pós-operatório, mas que era bom que eu estava mexendo, porque ela ía dar um jeito. June, a fêmea, estava na idade de entrar no cio, e a qualquer momento poderia ficar prenhe. 45 do segundo tempo.
Na hora do almoço, o interfone tocou e era D. Sandra. Segurando uma caixa de transporte na mão, ela disse que havia acabado de levá-los para castrar. Depois de dois dias nervosa, chorando, correndo sem parar, dei um sorriso. Disse que o pós-operatório era por conta dela. Me comprometi a achar um dono, e estou à caça.
Rezo pra que tenha um final feliz para as duas figurinhas. Das 10 pessoas que conheceram os bigodinhos, duas quiseram me ajudar, D. Sandra e Lane, minha caloura que eu ajudo a alimentar os peludos da faculdade, e que nem sequer viu os irmãozinhos.
Se eu pudesse, hoje, impingir o sofrimento que um animal de rua passa numa pessoa, eu o faria.
Chego à conclusão de que gosto cada vez menos dos seres humanos.

Lyra at 8:38:32 PM



Segunda-feira, Junho 23, 2008

Sobre mudanças



2004 eu era muito mais tímida e boba, mas já sabia o que era ter uma melhor amiga falsa e o que era beber até ver o fundo do copo, heranças de 2003. Já tinha tido a primeira experiência com uma banda, subido num palco (e tinha sido uma merda). Começava a descobrir as coisas. Meu cabelo era metade roxo, comprido, arrebentado. Eu era magra, não tinha piercyngs nem tatuagens (apesar de querer). Usava uma saia enorme e não tinha tolerância com a diversidade, fora do sonzinho nu-metal que eu escutava. Era estranha, não falava direito com as pessoas, continuava dentro da minha redoma de vidro, que ninguém penetrava. Odiava o colégio, odiava meus pais e todo o resto do mundo.

2005 pintei o cabelão de preto, e mudei do saião preto arrastando no chão para o moletom que uso até hoje. O cabelo continuava escorrido, cobrindo o rosto. Veio a miopia, e com ela o par de óculos (que eu já larguei). Tinha uma banda de metal, tocava guitarra e os shows legais íam surgindo. Tinha raiva das pessoas à minha volta e desenvolvi o estranho hábito de chorar no banheiro. Fazia as vezes de amiga-mãe para uma garota meio fraca da cabeça que estudava comigo. O primeiro piercing, a primeira transa, o primeiro cigarro. Tinha necessidade de me esconder das pessoas e era meio viciada em sono. Costumava ouvir música alta quando não tinha ninguém em casa. Estudava obrigada, e a tortura que foi o ensino médio para mim se seguia. Já sonhava em morar sozinha. Ainda era meio intolerante. Tinha o costume de gritar à noite quando me sentia sozinha, sonâmbula.

A conclusão a que chego é: que bom que essa época passou.
Fico feliz de estar fazendo jornalismo, ter um gato, ter tolerância e vontade. O ruim é que engordei.
Mas algumas coisas nunca mudam, né? o namorado é o mesmo, o cabelo ainda é escorrido e eu ainda me sinto extremamente sozinha, como se aquela época voltasse pra mim aos poucos, cada vez que eu me olho no espelho.

Lyra at 3:01:36 AM